Univille participa de descoberta que reescreve história da caça de baleias no mundo; estudo foi publicado pela Nature
- Comunicação Institucional Univille

- 4 de fev.
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artefatos foram encontrados em sambaquis da Baía Babitonga (crédito: Universidade Autônoma de Barelona)
Pesquisadoras da Universidade da Região de Joinville (Univille) integram um estudo internacional publicado na revista Nature, uma das mais relevantes do mundo científico, que apresenta evidências inéditas de que povos indígenas do litoral catarinense já caçavam grandes baleias há cerca de 5 mil anos. Até então, o consenso científico situava esse tipo de prática principalmente no hemisfério norte e milhares de anos depois.
Dione da Rocha Bandeira, do Laboratório de Arqueologia e Patrimônio Arqueológico (LapArq), e Marta Jussara Cremer, do Laboratório de Ecologia e Conservação de Tetrápodes Marinhos e Costeiros (TetraMar), ambos vinculados à universidade, contribuíram com análises fundamentais baseadas em acervos arqueológicos e conhecimento científico acumulado na região da Baía Babitonga (SC).
“A publicação na Nature reforça a inserção da Univille em redes internacionais de pesquisa de alto impacto, evidenciando o papel da universidade na produção de conhecimento científico reconhecido globalmente e na valorização do patrimônio arqueológico e ambiental de Santa Catarina”, enfatiza o Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da Univille, Paulo Henrique Condeixa de França.

O estudo
"Os povos dos sambaquis eram vistos como simples coletores de moluscos. Depois, reconhecemos que eram pescadores sofisticados. Agora descobrimos que também eram caçadores de baleias, o que exige um nível altíssimo de organização social, conhecimento marítimo e tecnologia", explica a Prof. Dra. Dione Bandeira.
O estudo analisou restos ósseos de cetáceos e ferramentas de osso de sambaquis da Baía Babitonga. A partir da combinação de técnicas avançadas de arqueologia, zooarqueologia e análises moleculares, os pesquisadores demonstraram que esses grupos dominavam tecnologias especializadas para a caça ativa de grandes baleias muito antes do que se acreditava até hoje.
A participação das pesquisadoras da Univille foi decisiva para a interpretação dos contextos arqueológicos locais e para a articulação entre coleções museológicas brasileiras e centros de pesquisa europeus. O trabalho se conecta a iniciativas internacionais de cooperação científica, como os projetos Tradition e SeaChange, que envolvem estudantes e docentes da Univille.
Para a Prof. Dra. Marta Jussara Cremer, além de reposicionar o litoral catarinense no mapa da arqueologia mundial, a pesquisa amplia o entendimento sobre o conhecimento marítimo indígena pré-colonial e oferece subsídios relevantes para estudos contemporâneos em conservação marinha. “É um convite para que a sociedade brasileira reconheça a profundidade de suas raízes litorâneas e a importância vital de sua ciência regional.”

ilustração publicada no artigo da Nature reproduz artefatos pesquisados





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