Univille Contribui para Descoberta que Reescreve a História da Caça às Baleias no Mundo; Estudo é Publicado na Nature
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Artefatos foram encontrados em sambaquis na Baía da Babitonga (Crédito: Universidade Autônoma de Barcelona)
Pesquisadores da Universidade da Região de Joinville (Univille) fazem parte de um estudo internacional publicado na Nature, uma das principais revistas científicas do mundo, que apresenta evidências inéditas de que povos indígenas do litoral de Santa Catarina caçavam grandes baleias há aproximadamente 5 mil anos. Até então, o consenso científico situava esse tipo de prática principalmente no Hemisfério Norte e milhares de anos mais tarde.
Dione da Rocha Bandeira, do Laboratório de Arqueologia e Patrimônio Arqueológico (LapArq), e Marta Jussara Cremer, do Laboratório de Ecologia e Conservação de Tetrápodes Marinhos e Costeiros (TetraMar), ambos vinculados à Univille, contribuíram com análises fundamentais baseadas em coleções arqueológicas e no conhecimento científico acumulado sobre a região da Baía da Babitonga (Santa Catarina).
“A publicação na Nature reforça a inserção da Univille em redes internacionais de pesquisa de alto impacto, destacando o papel da universidade na produção de conhecimento científico reconhecido mundialmente e na valorização do patrimônio arqueológico e ambiental de Santa Catarina”, destacou Paulo Henrique Condeixa de França, Pró-Reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da Univille.

O Estudo
“Os povos dos sambaquis já foram vistos como simples coletores de moluscos. Mais tarde, reconhecemos que eram pescadores sofisticados. Agora descobrimos que eles também eram caçadores de baleias, o que exigia um nível muito elevado de organização social, conhecimento marítimo e tecnologia”, explica a Prof.ª Dra. Dione Bandeira.
O estudo analisou restos ósseos de cetáceos e ferramentas confeccionadas em ossos encontradas em sambaquis da Baía da Babitonga. Por meio da combinação de técnicas avançadas de arqueologia, zooarqueologia e análise molecular, os pesquisadores demonstraram que esses grupos dominavam tecnologias especializadas para a caça ativa de grandes baleias muito antes do que se acreditava anteriormente.
A participação dos pesquisadores da Univille foi fundamental para a interpretação dos contextos arqueológicos locais e para o estabelecimento de conexões entre coleções de museus brasileiros e centros de pesquisa europeus. O trabalho está relacionado a iniciativas de cooperação científica internacional, como os projetos Tradition e SeaChange, que envolvem estudantes e professores da Univille.
Para a Prof.ª Dra. Marta Jussara Cremer, além de reposicionar o litoral de Santa Catarina no mapa da arqueologia mundial, a pesquisa amplia a compreensão sobre o conhecimento marítimo dos povos indígenas no período pré-colonial e oferece importantes contribuições para estudos contemporâneos de conservação marinha.
“É um convite para que a sociedade brasileira reconheça a profundidade de suas raízes costeiras e a importância fundamental da ciência produzida em nossa região.”

Ilustração publicada no artigo da Nature retratando os artefatos estudados




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